Saúde mental no trabalho: o que as empresas estão enfrentando hoje
Atualizado: 30 de jun.
Nos últimos anos, falar sobre saúde mental no trabalho deixou de ser um tema secundário para se tornar uma questão central dentro das organizações.
Não apenas pelos números, que por si só já são preocupantes, mas pela experiência cotidiana vivida dentro das empresas.
Equipes sobrecarregadas, dificuldade de concentração, aumento da irritabilidade, conflitos nas relações, afastamentos mais frequentes... Esses sinais têm se tornado cada vez mais presentes no dia a dia organizacional.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos mentais estão entre as principais causas de incapacidade no mundo. No Brasil, dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apontam o crescimento dos afastamentos relacionados à ansiedade, depressão e o burnout.
Mas, para além dos dados, existe algo que muitas empresas já perceberam na prática: há um sofrimento silencioso acontecendo dentro dos ambientes de trabalho.
O que mudou no mundo do trabalho?
O cenário atual trouxe transformações importantes. A aceleração das demandas, a necessidade constante de adaptação, a insegurança em relação ao futuro e a dificuldade de equilibrar vida pessoal e profissional têm impactado diretamente a saúde emocional dos colaboradores.
Além disso, as relações de trabalho também se tornaram mais complexas.
Nem sempre há espaço para diálogo, para escuta ou para a elaboração dos conflitos. E, quando isso não acontece, o que poderia ser elaborado na relação acaba sendo internalizado e, muitas vezes, se transformando em sintomas.
Quando o sofrimento não encontra espaço
Na ausência de espaços de escuta, o sofrimento tende a aparecer de outras formas:
Queda de produtividade
Desmotivação
Aumento de erros
Dificuldades nas relações
Afastamentos frequentes
Nem sempre o problema está apenas na função exercida, mas na forma como esse colaborador está conseguindo (ou não) sustentar o seu papel naquele contexto.
E aqui, mais uma vez, falamos de pessoas com histórias, emoções e limites.
Um movimento necessário: o cuidado como responsabilidade também das empresas
Esse cenário tem provocado mudanças importantes.
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) reforça a responsabilidade das empresas na gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
Isso significa reconhecer que fatores como estresse, sobrecarga, assédio e relações adoecidas também fazem parte dos riscos ocupacionais e também precisam ser cuidados.
Mais do que uma exigência normativa, trata-se de um movimento necessário diante da realidade que estamos vivendo.
Para além da produtividade: um novo olhar
Cuidar da saúde mental no trabalho não é apenas uma estratégia para melhorar resultados. É, antes de tudo, um cuidado com as pessoas.
E, quando esse cuidado acontece, os resultados aparecem como consequência:
Relações mais saudáveis
Maior engajamento
Comunicação mais clara
Ambientes mais colaborativos
Redução de afastamentos
Mas talvez o ponto mais importante seja outro: a possibilidade de construir um ambiente onde as pessoas possam existir com mais inteireza e qualidade, uma vez que propiciará saúde mental.
Caminhos possíveis
Não existe uma única solução, cada organização tem sua cultura, sua história e seus desafios. No entanto, algumas iniciativas têm se mostrado eficazes:
Criação de espaços de escuta
Desenvolvimento emocional de equipes e lideranças
Rodas de conversa e intervenções grupais
Acompanhamento psicológico / plantão psicológico
Ações preventivas voltadas à saúde emocional
Mais do que ações pontuais, o que faz diferença é a construção de uma cultura que legitime o cuidado.
O olhar do Mannaz
No Mannaz – Núcleo de Desenvolvimento Humano, compreendemos o ambiente de trabalho como um espaço de relações. E é nas relações que também se encontram possibilidades de transformação.
Nosso trabalho busca criar espaços onde seja possível:
Refletir sobre os papéis exercidos
Ampliar a consciência nas relações
Desenvolver recursos emocionais
Resgatar a espontaneidade e a capacidade de responder de forma mais saudável aos desafios
Acreditamos que, quando o colaborador se reconhece e encontra espaço para se expressar, algo se transforma - não apenas nele, mas também no ambiente ao seu redor.
Vamos refletir
Talvez a pergunta que fique para as empresas hoje não seja apenas “como aumentar a produtividade?” Mas sim:
“Que tipo de ambiente estamos construindo, e o que ele tem provocado nas pessoas que fazem parte dele?”
Cuidar dessa resposta pode ser um dos caminhos mais consistentes para o futuro das organizações.
Odaice Formagge Santos
Psicóloga - Psicodramatista
CRP 06/48122


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